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Peixes da Amazônia: a ictiofauna extraordinária da Reserva Mamirauá

  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

A Reserva Mamirauá abriga 541 espécies de peixes em uma das maiores florestas alagadas do mundo, conheça a ictiofauna e a várzea que torna isso possível.


Mão segura um peixe de corpo escuro e nadadeiras laranja, com rio e mata ao fundo sob céu nublado na Reserva Mamirauá
Foto: Mariana Freitas

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada no coração do Amazonas entre os rios Solimões e Japurá, é a maior área protegida de várzea do mundo, com mais de 1,1 milhão de hectares. E é precisamente essa condição - a de floresta que vive entre a água e a terra, que afoga e resseca ciclicamente - que explica um dos dados mais expressivos da biodiversidade amazônica: a reserva abriga 541 espécies de peixes, distribuídas em 45 famílias e 15 ordens, o que corresponde a cerca de 20% de todas as espécies válidas conhecidas para toda a Amazônia.


É nesse cenário que está o Uakari Lodge, uma pousada flutuante localizada dentro da Reserva Mamirauá. Pensado para acompanhar o ciclo das águas e operado em parceria com as comunidades locais e o Instituto Mamirauá, o lodge funciona como ponto de partida para descobrir a floresta de várzea e observar de perto a dinâmica que sustenta uma das maiores diversidades de peixes da Amazônia.


Como a várzea sustenta tanta diversidade de peixes 


Proa de barco em rio ao entardecer na Reserva Mamirauá, cercada por mata escura e céu nublado rosado refletido na água calma.
Foto: Lucas Ramos

A explicação para essa riqueza não está em um único fator, mas na estrutura do próprio ambiente. A várzea amazônica é um ecossistema de planície alagável alimentado por rios de águas brancas, como o Solimões, cujo volume de sedimentos confere fertilidade incomum às águas e ao solo. Em Mamirauá, o ciclo anual eleva o nível dos rios entre 7 e 15 metros por aproximadamente seis meses, transformando completamente a paisagem: o que era floresta vira igapó, o que era lago vira canal, o que era terra firme vira fundo de rio.


Esse regime de perturbação constante tem um efeito direto sobre a composição da fauna aquática. Os altos níveis de variação ambiental nos lagos de várzea limitam a capacidade de qualquer espécie de dominar esses ambientes por completo, o que favorece a coexistência de uma diversidade altíssima. Nenhuma espécie consegue monopolizar os recursos por tempo suficiente. O resultado é um mosaico de nichos ecológicos ocupados por centenas de espécies que, em outros ambientes, competiriam de forma mais exclusiva.



As ordens mais representadas


Peixe grande nadando sob a água escura, com bolhas subindo e luz verde-azulada no fundo.
Foto: Ranger Zang

Entre as 541 espécies registradas na reserva, as ordens com maior riqueza são os Siluriformes - os peixes-gato, bagres e acaris, com 209 espécies - e os Characiformes, que reúnem piranhas, tambaquis, matrinxãs e curimatãs, com 185 espécies. Em terceiro lugar estão os Gymnotiformes, os peixes elétricos, com 78 espécies. Essa distribuição reflete um padrão típico das ictiofaunas neotropicais, mas em Mamirauá ela ocorre em uma escala que poucos ambientes protegidos conseguem oferecer.


Espécies em destaque


Pirarucu (Arapaima gigas)


Dois peixes Pirarucu grandes e escuros nadando em água verde turva, vistos de cima.
Foto: Kamyla Tocantins

O pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce do planeta e uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia. Pode atingir três metros de comprimento e pesar até 200 quilos. Possui dois aparelhos respiratórios - um branquial e outro aéreo - e por isso precisa emergir à superfície periodicamente para respirar. Essa característica, que facilita a contagem pelos manejadores comunitários, é também central para o modelo de manejo participativo desenvolvido pelo Instituto Mamirauá desde 1999. Desde então, o estoque natural da espécie nas áreas manejadas da reserva aumentou aproximadamente 620%, e mais de 1.165 pescadores e pescadoras já participaram do programa. É um dos casos mais documentados de recuperação de estoque pesqueiro por gestão comunitária no mundo.


Tambaqui (Colossoma macropomum)


Pessoa segura o peixe Tambaqui grande em primeiro plano, ao ar livre, com árvores ao fundo.
Foto: Swsankt

O tambaqui é o maior peixe escamoso da bacia amazônica depois do pirarucu e uma das espécies de maior importância econômica para as comunidades ribeirinhas da região. Frugívoro e onívoro, ele aproveita o período de cheia para adentrar a floresta alagada e se alimentar de frutos e sementes que caem na água, desempenhando um papel importante na dispersão de espécies vegetais. Sua carne é muito apreciada na culinária regional, tanto que o tambaqui fresquinho aparece com frequência no cardápio do Uakari Lodge.


Piranha (Serrasalmus e Pygocentrus spp.)


Mãos seguram um peixe piranha prateado e laranja com anzol na boca, ao lado de um barco na água.
Foto: Lucas Ramos

As piranhas pertencem à ordem Characiformes e estão entre os peixes mais conhecidos da Amazônia, ainda que sua reputação exagere consideravelmente sua agressividade. Na Reserva Mamirauá, elas cumprem uma função ecológica relevante como predadoras e carniceiras, contribuindo para o equilíbrio das populações de outros peixes. A pesca tradicional e artesanal de piranha é uma das atividades oferecidas pelo Uakari Lodge, sempre conduzida com segurança pelos guias locais e com respeito ao ambiente.


Aruanã (Osteoglossum bicirrhosum)


Peixe rosa aruanã alongado nada em água escura e calma, com corpo fino e barbatanas discretas.
Foto: Kenny Uéslei

Os aruanãs pertencem à família Osteoglossidae, um grupo de peixes considerado primitivo em termos evolutivos, com "línguas" ósseas que dão nome à família. São carnívoros e saltadores notáveis, capazes de capturar insetos, pequenos pássaros e morcegos em pleno voo. Na época da reprodução, os filhotes ficam protegidos dentro da boca do macho por semanas. A espécie ocorre nas bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia, com boa presença nos lagos e canais da reserva.


Acará-disco (Symphysodon aequifasciatus)


Peixe tropical acará-disco listrado azul e verde na palma de uma mão, em close, com fundo escuro aquático.
Foto: Diego Matheus de Mello Mendes

O acará-disco é um dos peixes ornamentais mais admirados do mundo e tem na Amazônia ocidental seu habitat natural. Sua dieta inclui crustáceos, insetos, pequenos peixes, folhas e frutos. Prefere lagos, lagoas e trechos de rios com águas calmas e rasas, condições que a várzea de Mamirauá oferece em abundância, especialmente durante os períodos de transição entre cheia e seca.



Tucunaré (Cichla spp.)


Peixe listrado tucunaré nadando em água turva sobre pedras e areia, com luz dourada no fundo.
Foto: Ronaldo Garcia

O tucunaré é um dos principais predadores dos lagos de várzea amazônica e é um peixe de grande importância para a pesca esportiva. Pertence à família Cichlidae e está adaptado a ambientes de águas calmas e levemente turvas, como os lagos interiores da reserva. Sua presença nos ecossistemas de Mamirauá é indicativa da saúde dos ambientes aquáticos, já que é sensível a alterações na qualidade da água.


Novas espécies a conhecer


Dois pescadores em canoa lançam redes em um rio da Amazônia ao pôr do sol, com céu rosado e água calma.
Foto: Luiz Claudio Marigo

Além das 541 espécies já registradas, os levantamentos realizados na reserva produziram a descrição de 28 novas espécies para a ciência, com 110 séries-tipo depositadas em coleções científicas. E ainda há território por explorar: as áreas mais isoladas da porção noroeste da reserva permanecem pouco amostradas, e novos levantamentos devem revelar registros inéditos, e possivelmente, novas espécies ainda não descritas.


Em 2014, pesquisadores do Instituto Mamirauá encontraram dois peixes nunca antes documentados no Brasil, a Pyrrhulina zigzag e a Apistogrammoides pucallpaensis, no limite entre Mamirauá e a Reserva Extrativista Auati-Paraná, um lembrete de que a biodiversidade da região ainda guarda surpresas.



Conheça os peixes de Mamirauá no Uakari Lodge


Cormorão na água, com peixe no bico, em cena de caça sobre superfície calma e cinzenta.
Foto: Nils Kroell

No Uakari Lodge, a conexão com a ictiofauna local acontece de formas concretas: nos passeios de canoa pelos igapós e canais, onde é possível observar aruanãs saltando nas margens e piranhas se movendo em cardume; na pesca tradicional conduzida pelos guias ribeirinhos; nas conversas com pesquisadores do Instituto Mamirauá, que trabalham a poucos quilômetros da pousada; e no cardápio, onde o pirarucu e o tambaqui aparecem preparados com as técnicas das comunidades locais.


A riqueza de peixes de Mamirauá não é um fator isolado, mas o resultado direto de décadas de proteção ambiental, manejo comunitário e pesquisa científica continuada, e é também o que dá sentido à experiência de estar ali, flutuando sobre um dos ecossistemas aquáticos mais biodiversos do planeta.


Venha conhecer a Reserva Mamirauá e o Uakari Lodge. Siga o Uakari no Instagram e fique por dentro das novidades. Pronto(a) para viver essa experiência? Faça sua reserva.




©2021 por UAKARI LODGE   Fotos: ©GuiGomes

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