Animais Noturnos da Reserva Mamirauá: Guia Completo Para a Focagem Noturna
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Atualizado: há 2 dias
Conheça os animais de hábitos noturnos da Reserva Mamirauá, como jacaré-açu, onça-pintada e maracajá, e veja como observá-los na focagem do Uakari Lodge

A Reserva Mamirauá abriga diversas espécies de hábitos noturnos, entre elas o jacaré-açu (Melanosuchus niger), a onça-pintada (Panthera onca), o maracajá (Leopardus wiedii) e a paca (Cuniculus paca), animais que usam a escuridão da floresta alagada para caçar, se camuflar ou evitar predadores. Grande parte deles pode ser observada durante os passeios de focagem noturna oferecidos pelo Uakari Lodge, dentro da própria reserva.
Localizada no coração do Amazonas, entre os rios Solimões e Japurá, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é a maior área protegida de várzea do mundo, e a floresta que se alaga e resseca ao longo do ano cria condições particulares para que muitas espécies concentrem sua atividade depois que o sol se põe, quando a temperatura cai, a competição por alimento diminui e alguns predadores se tornam menos presentes.
Jacaré-açu: o predador que vive sob a pousada

O jacaré-açu é o maior predador aquático da América Latina, com machos que podem ultrapassar 6 metros de comprimento, e vive nos rios e lagos da Reserva Mamirauá, onde o Instituto Mamirauá realiza capturas científicas da espécie desde 2004 para acompanhar a estrutura da população ao longo dos anos. De acordo com o biólogo Gustavo Figueirôa, especialista em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre, a coloração escura do jacaré-açu funciona como camuflagem nas águas turvas da região, principalmente durante a noite, o que torna o animal praticamente invisível para as presas até que seja tarde demais.
No Uakari Lodge, essa proximidade com o jacaré-açu não é uma metáfora. A pousada flutua sobre grandes toras de assacu, e é comum que jacarés vivam tranquilamente logo abaixo dos flutuantes, dependendo da estação do ano. Durante a focagem noturna de canoa, guias locais usam holofotes para localizar os olhos do animal refletindo na superfície escura do rio, uma técnica que também é usada pelos próprios pesquisadores da reserva em seus levantamentos.
Onça-pintada: entre o crepúsculo, a noite e a manhã

A onça-pintada costuma ser descrita, de forma geral, como um animal crepuscular e noturno, mas um estudo conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, especificamente no lago Mamirauá encontrou um padrão diferente: as onças da região apresentam atividade distribuída ao longo de todo o dia, sendo mais ativas pela manhã e menos ativas durante a noite. Os pesquisadores associam esse comportamento ao fato de que a principal presa das onças na reserva é justamente o jacaré, animal de hábitos predominantemente noturnos, o que pode tornar a caça mais eficiente durante o dia, quando os jacarés estão menos ativos. O estudo completo sobre a dinâmica populacional da espécie no lago Mamirauá encontra-se disponível aqui.
Essa relação entre predador e presa é um dos exemplos mais claros de como os hábitos noturnos, na Amazônia, não são um traço isolado de cada espécie, mas parte de uma rede de comportamentos que se ajustam uns aos outros.
Maracajá: o felino que caça nas copas da floresta alagada

Entre os pequenos felinos silvestres da Amazônia brasileira, o maracajá é o que habita a Reserva Mamirauá, adaptado a viver nas árvores durante o período de cheia, segundo reportagem publicada pelo site Mongabay baseada em pesquisas do Instituto Mamirauá. A espécie tem hábitos noturnos e arborícolas, e passa boa parte do tempo caçando aves e pequenos mamíferos nas copas das árvores, conforme descrevem organizações de conservação de fauna como a Pró-Carnívoros e a Apremavi. Por ser um animal solitário, raro e de difícil visualização, avistar um maracajá na natureza costuma depender de sorte e de bons guias, mesmo durante os passeios noturnos.
Paca e preguiça: outros moradores da noite em Mamirauá

A paca é descrita pelo Instituto Mamirauá como um roedor de hábitos noturnos, com papel importante na alimentação de populações amazônicas, e uma tese de doutorado sobre padrões de caça de animais silvestres nas Reservas Mamirauá e Amanã confirma a presença da espécie nas duas unidades de conservação administradas pelo instituto.
Já a preguiça, apesar da fama de animal lento e discreto, pode ter atividade tanto noturna quanto diurna, embora passe a maior parte do dia em repouso, imóvel na copa das árvores. Um levantamento de fauna monitorada por armadilhas fotográficas na Reserva Mamirauá, conduzido pelo Instituto Mamirauá, registra avistamentos frequentes do animal se alimentando em árvores de embaúba e munguba nas florestas de várzea da reserva, e aponta a preguiça como uma das principais presas das onças-pintadas na área.
Como observar os animais noturnos da Reserva Mamirauá no Uakari Lodge

No Uakari Lodge, a vida noturna da floresta de várzea faz parte da programação desde a estadia mais curta. No roteiro de 3 noites, a focagem noturna de jacarés já está incluída, feita de canoa pelos canais próximos à pousada, com guias locais que conhecem os pontos onde os jacarés costumam se concentrar em cada estação. No roteiro de 4 noites, essa vivência se aprofunda com uma trilha noturna adaptada à época do ano, ampliando as chances de encontrar outros animais que só aparecem depois que escurece. Já o roteiro de 7 noites inclui a instalação de armadilhas fotográficas, e os próprios pesquisadores do Instituto Mamirauá costumam apresentar aos hóspedes, na última noite, as imagens capturadas ao longo da semana, muitas delas de espécies que dificilmente seriam vistas a olho nu.
Essa combinação entre pesquisa científica e turismo de base comunitária é o que diferencia a experiência no Uakari Lodge, porque cada passeio noturno carrega, junto da observação da fauna, o conhecimento acumulado por décadas de estudo dentro da própria Reserva Mamirauá.
Para conhecer os roteiros de 3, 4 e 7 noites e planejar sua estadia no Uakari Lodge, visite nosso site e siga nosso perfil no Instagram para acompanhar novidades direto da floresta.


