Turismo de Base Comunitária na Amazônia: o protagonismo das mulheres na Reserva Mamirauá
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Conheça o protagonismo das mulheres no turismo de base comunitária da Reserva Mamirauá e o impacto nas comunidades tradicionais da Amazônia.

O turismo de base comunitária na Reserva Mamirauá é um modelo de turismo sustentável em que as comunidades tradicionais da Amazônia participam diretamente da gestão, operação e tomada de decisões. No Uakari Lodge, as mulheres ocupam papel central nesse processo: lideram, organizam e transformam a experiência de comunidade local.
Mulheres que transformam a floresta: liderança feminina no turismo da Reserva Mamirauá

Na Reserva Mamirauá, o turismo de base comunitária é mais do que uma atividade econômica. É um processo coletivo que integra conservação ambiental, governança participativa e fortalecimento social.
Localizada no médio Solimões, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é uma das maiores áreas protegidas de várzea do Brasil e é referência internacional em conservação e uso sustentável dos recursos naturais.
Nesse território, o turismo sustentável foi estruturado como estratégia complementar às atividades tradicionais das comunidades ribeirinhas. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que desenvolve pesquisa aplicada e modelos de gestão participativa na Amazônia.
E dentro desse modelo, as mulheres assumem papel cada vez mais central.
O turismo como alternativa construída com as comunidades

Desde o início do Projeto Mamirauá, na década de 1990, a recepção de pesquisadores evoluiu para um modelo estruturado de turismo de base comunitária, consolidado no Uakari Lodge.
O turismo foi apresentado às comunidades como alternativa econômica capaz de integrar e complementar fontes de renda já desenvolvidas tradicionalmente pelas comunidades tradicionais da Amazônia e há registros institucionais que indicam o incentivo à participação de mulheres e jovens desde as primeiras etapas do desenvolvimento da atividade.
Hoje, essa participação é visível em todos os níveis da experiência.
Mulheres que acolhem, organizam e lideram

No cotidiano do Uakari Lodge, mulheres lideram a gestão, coordenam a recepção e a logística, conduzem atividades e organizam a operação do turismo comunitário. Também são responsáveis por manter vivas práticas culturais essenciais, como a culinária regional e o compartilhamento de saberes sobre a floresta, oferecendo ao visitante uma experiência de comunidade local genuína e significativa. Ao longo dos anos, essa presença deixou de ser apenas operacional e passou a ocupar espaços estratégicos de decisão dentro das comunidades.
Esse movimento tem sido analisado pelas cientistas Tharyn Machado e Patrícia Rosa, do grupo de pesquisa Territorialidades e Governança Socioambiental na Amazônia, do Instituto Mamirauá. No estudo intitulado Gênero, governança e participação em áreas protegidas da Amazônia, Tharyn investigou como se estabelecem as relações de gênero nas atividades socioeconômicas desenvolvidas na Reserva Mamirauá.
De acordo com Tharyn, um dos principais objetivos da pesquisa é mapear e analisar essas relações dentro das atividades desenvolvidas pelas comunidades, compreendendo como as mulheres passaram a ocupar papéis centrais nos processos de governança associados ao turismo de base comunitária, ampliando sua participação nas decisões e fortalecendo a organização comunitária.
Governança participativa e transformação social

A consolidação do turismo de base comunitária em Mamirauá fortaleceu espaços formais de decisão nas comunidades. A participação feminina tornou-se cada vez mais ativa, inclusive em debates estratégicos sobre o futuro da atividade.
O evento Ciclo de diálogos entre mulheres do turismo comunitário, realizado em setembro de 2025, evidenciou essa transformação: mulheres debatendo desafios, conquistas e perspectivas para o território.
Quando as mulheres participam das decisões, o turismo deixa de ser apenas geração de renda e passa a ser transformação social.
Autonomia, renda e reconhecimento

O impacto do turismo sustentável é concreto: maior autonomia financeira, capacitações, geração de renda e reconhecimento dentro das comunidades tradicionais da Amazônia.
Mulheres que antes tinham participação limitada às atividades domésticas hoje lideram equipes, administram recursos e representam suas comunidades em espaços institucionais.
Além do retorno econômico, há uma mudança simbólica profunda: elas se tornam referências de liderança.
Redes de apoio e novas gerações

O fortalecimento de redes de apoio entre mulheres também é parte dessa trajetória. A troca de experiências, o incentivo mútuo e a construção coletiva de soluções contribuem para romper padrões antigos de desigualdade.
As meninas que crescem nas comunidades da Reserva Mamirauá hoje veem mulheres conduzindo reuniões, tomando decisões e ocupando posições de liderança.
A liderança deixa de ser exceção. Torna-se possibilidade.
O futuro do turismo na Amazônia já tem identidade

O modelo de turismo de base comunitária desenvolvido na Reserva Mamirauá demonstra que preservar a floresta é também valorizar as pessoas que vivem nela.
A experiência oferecida pelo Uakari Lodge está diretamente ligada ao fortalecimento das comunidades tradicionais da Amazônia e à construção de um modelo de desenvolvimento baseado na participação, na ciência e na equidade.
O futuro do turismo na Amazônia já está em curso e ele tem a marca das mulheres.
Quer conhecer de perto essa experiência de comunidade local na Amazônia?

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