🇧🇷 A Guia Naturalista em Campo: Os encantadores botos-rosa

Os visitantes da Uakari Lodge sempre se impressionam com a quantidade de botos que podem ser avistados na Reserva Mamirauá!

Esta série de posts seria incompleta se não falássemos de um dos animais mais icônicos da Amazônia: o famoso boto cor-de-rosa! Sim, é possível (e frequente inclusive 😃 ), avistá-los durante os passeios de barco da pousada Uacari, as lufadas de ar durante a respiração denunciam a presença desses gigantes: esses animais pesam entre 150 e 200 kg e medem em média 2 metros de comprimento!


O boto-cor-de-rosa ou boto-vermelho (Inia geoffrensis) ocorre nas bacias do rio Amazonas e Orinoco, sendo encontrado assim em seis países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. Infelizmente, assim como nosso personagem do último post, Inia geoffrensis é mais uma espécie “Em Perigo de extinção” na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza e Recursos Naturais) sendo a captura acidental em redes de pesca a principal causa de mortes. A perda de alguns indivíduos de uma subpopulação pode causar um declínio inicial e irreparável na mesma, já que se trata de uma espécie de reprodução lenta: as fêmeas gestam um único bezerro por 11 meses, os filhotes só tomam leite materno até os três anos e estarão maduros sexualmente aos cinco aproximadamente.

Evidências genéticas e a própria anatomia desses botos sugerem que o ancestral da espécie deve ter vindo do Oceano Pacífico antes do soerguimento dos Andes, há aproximadamente 20 milhões de anos, e ficado preso pelos rios amazônicos a partir deste evento. Os botos tiveram então muito tempo para se adaptar ao ambiente, sendo muito diferentes dos golfinhos marinhos, que são mais conhecidos popularmente.

Uakari Lodge | Mamirauá Reserve | Amazon Brazil

Inia geoffrensis é o único golfinho que consegue virar o pescoço, já que as vértebras que ligam a cabeça à espinha dorsal não são fusionadas como nas outras espécies. Além disso, as nadadeiras peitorais são maiores e capazes de fazer movimentos circulares independentes, o que torna possível que os botos-cor-de-rosa nadem e cacem na floresta alagada sem ficarem presos nela já que conseguem fazer manobras como nadar para trás.

A cor rosa se deve aos numerosos finíssimos capilares sanguíneos sob a pele e é mais proeminente nos machos, provavelmente uma forma de mostrar boa saúde às fêmeas. Aliás, os machos são muito agressivos entre si quando estão tentando atrair uma fêmea, machucando frequentemente uns aos outros.

Talvez esses esforços dos machos na disputa pela atenção das fêmeas tenha sido o que gerou a fama de galanteador desse animal no folclore. Nas crenças dos povos tradicionais o boto se transforma num homem bonito e bem-vestido (está sempre de chapéu para que ninguém veja o buraco respiratório no topo da cabeça) que seduz as moças ribeirinhas. Diz-se que se há uma mulher esperando um filho, mas não sabe quem é o pai, então ela está grávida do boto. Trabalhando na pousada Uacari ouvi muitas histórias dos meus amigos ribeirinhos, alguns dizem que há tanto o boto homem que encanta mulheres quanto o boto mulher que encanta os homens, levando suas vítimas para o fundo do rio, onde há a bela cidade encantada dos botos, com sorte a pessoa volta para contar o que viu e viveu.

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Créditos:

. Texto e imagens: Cynthia Lebrão

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