ūüáßūüá∑ A Guia Naturalista em Campo: Os encantadores botos-rosa

Os visitantes da Uakari Lodge sempre se impressionam com a quantidade de botos que podem ser avistados na Reserva Mamirau√°!

Esta s√©rie de posts seria incompleta se n√£o fal√°ssemos de um dos animais mais ic√īnicos da Amaz√īnia: o famoso boto cor-de-rosa! Sim, √© poss√≠vel (e frequente inclusive ūüėÉ ), avist√°-los durante os passeios de barco da pousada Uacari, as lufadas de ar durante a respira√ß√£o denunciam a presen√ßa desses gigantes: esses animais pesam entre 150 e 200 kg e medem em m√©dia 2 metros de comprimento!


O boto-cor-de-rosa ou boto-vermelho (Inia geoffrensis) ocorre nas bacias do rio Amazonas e Orinoco, sendo encontrado assim em seis pa√≠ses da Am√©rica do Sul: Brasil, Bol√≠via, Peru, Equador, Col√īmbia e Venezuela. Infelizmente, assim como nosso personagem do √ļltimo post, Inia geoffrensis √© mais uma esp√©cie ‚ÄúEm Perigo de extin√ß√£o‚ÄĚ na Lista Vermelha da IUCN (Uni√£o Internacional para Conserva√ß√£o da Natureza e Recursos Naturais) sendo a captura acidental em redes de pesca a principal causa de mortes. A perda de alguns indiv√≠duos de uma subpopula√ß√£o pode causar um decl√≠nio inicial e irrepar√°vel na mesma, j√° que se trata de uma esp√©cie de reprodu√ß√£o lenta: as f√™meas gestam um √ļnico bezerro por 11 meses, os filhotes s√≥ tomam leite materno at√© os tr√™s anos e estar√£o maduros sexualmente aos cinco aproximadamente.

Evid√™ncias gen√©ticas e a pr√≥pria anatomia desses botos sugerem que o ancestral da esp√©cie deve ter vindo do Oceano Pac√≠fico antes do soerguimento dos Andes, h√° aproximadamente 20 milh√Ķes de anos, e ficado preso pelos rios amaz√īnicos a partir deste evento. Os botos tiveram ent√£o muito tempo para se adaptar ao ambiente, sendo muito diferentes dos golfinhos marinhos, que s√£o mais conhecidos popularmente.

Uakari Lodge | Mamirau√° Reserve | Amazon Brazil

Inia geoffrensis √© o √ļnico golfinho que consegue virar o pesco√ßo, j√° que as v√©rtebras que ligam a cabe√ßa √† espinha dorsal n√£o s√£o fusionadas como nas outras esp√©cies. Al√©m disso, as nadadeiras peitorais s√£o maiores e capazes de fazer movimentos circulares independentes, o que torna poss√≠vel que os botos-cor-de-rosa nadem e cacem na floresta alagada sem ficarem presos nela j√° que conseguem fazer manobras como nadar para tr√°s.

A cor rosa se deve aos numerosos fin√≠ssimos capilares sangu√≠neos sob a pele e √© mais proeminente nos machos, provavelmente uma forma de mostrar boa sa√ļde √†s f√™meas. Ali√°s, os machos s√£o muito agressivos entre si quando est√£o tentando atrair uma f√™mea, machucando frequentemente uns aos outros.

Talvez esses esforços dos machos na disputa pela atenção das fêmeas tenha sido o que gerou a fama de galanteador desse animal no folclore. Nas crenças dos povos tradicionais o boto se transforma num homem bonito e bem-vestido (está sempre de chapéu para que ninguém veja o buraco respiratório no topo da cabeça) que seduz as moças ribeirinhas. Diz-se que se há uma mulher esperando um filho, mas não sabe quem é o pai, então ela está grávida do boto. Trabalhando na pousada Uacari ouvi muitas histórias dos meus amigos ribeirinhos, alguns dizem que há tanto o boto homem que encanta mulheres quanto o boto mulher que encanta os homens, levando suas vítimas para o fundo do rio, onde há a bela cidade encantada dos botos, com sorte a pessoa volta para contar o que viu e viveu.

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Créditos:

. Texto e imagens: Cynthia Lebr√£o

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